Tire férias urgentemente!

19 ago

Segue abaixo o relato da fisioterapeuta Juliana Torres sobre a relação do trabalho em nossa saúde.

 

Entender um pouco mais sobre a complexa engrenagem da mente humana é sempre um convite para auto-análise.

Ao entender que somos seres espirituais que nascem com um mecanismo claro de funcionamento onde o prazer é algo necessário, tanto quando a fuga da dor, passei a ter uma visão diferente sobre o trabalho.

Vivenciei situações peculiares no consultório, onde o paciente estava completamente organizado biomecanicamente após as sessões de Fisioterapia, a dor já não fazia parte de sua vida, e de repente, eis que tudo surge novamente.

Tal situação me colocou em cabal posição de questionamento, que abriu minha sensibilidade para aquilo que é tão importante para o homem desde os primórdios da vida e sociedade. Sim: a insatisfação no trabalho é capaz de resgatar a dor do meu paciente. Por quê? Por que a dor, nesse caso, é o alerta que a mente usa para dar o seu grito. Para dizer que algo deve ser feito, que é necessário parar, reavaliar, reconstruir.

A união dos meus estudos com a experiência clínica me trouxe a simples (e de tão difícil aplicação) conclusão: se precisamos ter mais prazer e menos dor, pois o contrário nos adoece, e por outro lado, passamos mais horas inseridos no trabalho do que em qualquer outro contexto, sem falar da simbologia tão fortemente enraizada do ato de trabalhar, então o trabalho não pode me trazer dor! Em hipótese alguma! O trabalho nunca será sinônimo de lazer, pois há sempre a responsabilidade envolvida. Por outro lado, é possível amar, sim, o seu trabalho. É possível sentir-se verdadeiramente gratificado com ele. E isso, meu caro leitor, é dádiva divina!Quem se encontra nessa realidade, como eu, tem menos chance que adoecer. Trata-se de um dado científico.

Portanto, o que eu sempre digo no consultório, e acho que merece publicação é: trabalhe em algo que você ama. Se isso é possível para você, você tem mais qualidade de vida, gasta menos com remédios e terapias, tem mais astral, tem a Cabeça Leve.

Sim, digo que vale a pena mudar para algo que te dê menos dinheiro. Afinal, para que serve o dinheiro? Não é para nos trazer Dignidade? Conforto? Alegrias? Pergunte-se se o seu trabalho lhe proporciona esses três elementos. Depois reflita ainda mais: será que ele não te tira algum desses elementos? Além da sua saúde? Se esta reflexão lhe for algo perturbadora, pelo menos tire umas férias. E reflita mais um pouco.

Ainda que você tenha certeza de que você está no trabalho certo, ficar sem tirar férias é negligenciar a própria saúde. E estar na eminência de ser cobrado pela mente a qualquer momento, seja com uma dor de cabeça, seja com qualquer outra somatização.  Pois o corpo é o porta-voz do nosso inconsciente.

Estar de férias (de verdade) é renovar-se. É desligar-se dos compromissos que nos gastam as suas energias e priorizar o compromisso o seu eu, com sua família: as coisas mais importantes do mundo.

Então, bom trabalho e boas escaladas!

Texto: Juliana Torres

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